Maria Eudoxia Mellão

Da seiva que percorre mundos se alimentam os trabalhos de Maria Eudoxia. Formas aqui reveladas são ovos que imobilizam a origem, mandalas e esculturas que representam o cosmos, espirais que explicitam o tempo. Reinventando-se na criação de cada nova peça, despe-se das velhas roupagens de sua história como quem rasga a própria carne, imbuída da intuição - muitas vezes não mais do que dessa frágil certeza - de que há algo legítimo e urgente por baixo, chamando por atenção e cuidado. Um cuidado próprio. Rico e sagrado, como demandam as coisas de natureza profunda. Quase como um cego que não percebendo a luz enxerga através e além das cosias, suas peças são estruturas arquetípicas revestidas - melhor dizendo - (re) veladas - de tramas que lhes conferem existência e sentido. Mistério entre planos arquitetados e ossaturas semivestidas, cheios e vazios, ou como na origem, criados a partir da separação entre luz e trevas. Visão do "Terceiro Olho" que, partindo da forma arquetípica, desde a criação mística das coisas no muito antes, guia as mãos que seguem tecendo, tecendo, até dar consistência ao que não existia.


A Arte e a Alma e o Contraste

Epopeia do caos à ordem. Vice-versa, o contrário. Harmonia dinâmica nesse percurso épico. O que ela realmente estaria buscando?
Corporificar a essência, talvez?
Suas peças dizem antes por você. Isso agora já sabemos.






Um texto de Gilberto Habib de Oliveira